22 DE Agosto DE 2019

Há muitos anos que as séries de televisão nos venderam a ideia de que as provas de ADN são infalíveis e de que, com a descoberta de um cabelo, podemos descobrir o assassino num crime.

 

Certo é que isto não é tão real quanto cremos. As provas de ADN têm limitações e, inclusivamente, podem ocorrer erros. Além disso, os resultados também podem ser mal interpretados, dando a crer que se chegou a alguma conclusão quando não é bem assim.

 

Para começar, há que saber o que se está a analisar, já que nem todas as amostras fisiológicas do corpo humano dão origem a um resultado 100% esclarecedor. Se, por exemplo, analisarmos ADN de um  resto de osso, temos de saber que não é o mesmo analisar material mitocondrial e nuclear. O mitocondrial não é exclusivo de cada indivíduo, de cada ser humano, pelo que perante o aparecimento de um vestígio não podemos ter 100% certeza de que seja de uma pessoa desaparecida, por exemplo.

 

99,9% do nosso ADN é idêntico ao dos restantes seres humanos, pelo que o que nos diferencia é 0,1%.

 

Não é a primeira vez que alguém é condenado porque as provas de ADN o “situam” no local do acontecimento, ainda que existam provas reais, como gravações de vídeo, que o localizam a 400 km do crime. Pode ser que o seu ADN coincida, em grande parte, com o de outra pessoa, mas isso não faz com que tenha de assumir as consequências dos seus delitos.

 

O erro humano também é um factor a ter em conta. Pode ser feita uma utilização errónea das provas, devido à contaminação dos recipientes onde são recolhidas as amostras, pelo que se tornam inválidas. Além disso, as provas estão sujeitas à interpretação humana, pelo que o erro pode acontecer.

 

No Reino Unido um cidadão britânico esteve detido durante dois meses, uma vez que o seu ADN coincidia com o de uma vítima de violação. Tratou-se, neste caso, de um erro humano, uma vez que o mesmo recipiente que continha a sua saliva, por um desacato com a autoridade, foi utilizado para recolher amostras na sequência do crime de violação. Neste caso, fiarmo-nos a 100% na prova de ADN poderia ter feito com que esta pessoa passasse uma temporada atrás das grades.

 

Também há que ser tida em conta a transferência de ADN. O simples gesto de dar a mão ou um abraço a alguém pode gerar a transferência do nosso ADN. Se, por exemplo, abraçarmos alguém e se a camisola dessa pessoa for encontrada no local de um crime, podemos tornar-nos suspeitos com base, simplesmente, nas provas de ADN.

 

Os resultados de ADN devem sempre fazer-se acompanhar de outras provas e pressupostos, para complementar um veredicto, mas jamais para condenar alguém com base, simplesmente, no resultado destes testes. Deve ser usado como um instrumento e não como uma evidência.

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