1 DE Junho DE 2018

Às vezes os investigadores veem-se obrigados a guardar casos na caixa dos “casos sem resolução” para sempre, quer seja por falta de provas ou por chegarem a um beco sem saída.

Outras vezes, pode dar-se o caso de que, anos mais tarde, apareçam novas provas ou uma nova equipa de investigação que reabre o caso e tenta abordá-lo de uma outra perspetiva, com a ajuda de novas tecnologias – como a análise do ADN e o cruzamento de dados – que lhes permite aproximar-se de outra forma ao assassino.

Estes são quatro casos que, graças à tecnologia, à persistência ou ao aparecimento de novas provas poderam ser resolvidos anos depois do sucedido:

 

38 anos depois: ETAN PATZ

O desaparecimento de Etan Patz, de 6 anos, comoveu profundamente os Estados Unidos. Ocorreu no bairro de Soho, em Nova York, em 1972. Etan tinha pela primeira vez autorização dos pais para ir sozinho desde sua casa até à paragem de autocarro escolar, mas nunca chegou a apanhá-lo. As investigações nunca chegaram para encontrar o paradeiro da criança e mesmo com vários detidos, não se encontrou o culpado do desaparecimento.

Etan Patz

Em 2010, o fiscal de Manhattan reabriu o caso e o comissário da polícia de Nova York anunciou que um homem sob custodia podia estar envolvido no caso. O seu nome era Pedro Hernández. Nesta nova investigação, conseguiram-se testemunhos de pessoas próximas do suspeito que afirmavam ter ouvido o mesmo a confessar o sequestro e assassinato de uma “criança em Nova York”.

Depois de ser detido, confessou no julgamento que ofereceu ao rapaz um refresco desde a loja onde trabalhava. Quando a criança se aproximou, sequestrou-a levando-a ao sótão desse local e asfixiou-a. Meteu o corpo dentro de uma mala e deixou-a junto a restos de lixo.

No julgamento declarou-se culpado por sequestro e assassinato e foi condenado a 25 anos de prisão.

 

37 anos depois: SUZANNE BOMBARDIER

No ano de 1980, foi encontrado o corpo de Suzanne Bombardier, de 14 anos, a flutuar num rio de Antioch (Califórnia). Este caso deu a volta ao mundo pela dimensão da sua crueldade. Foi violada antes de receber uma facada no peito que lhe tirou a vida. Investigadores de todos os Estados Unidos estiveram envolvidos no caso, mas depois de reunir todas as provas e deterem vários suspeitos, não conseguiram relacionar nenhum suspeito ao assassinato.

Suzanne Bombardier

35 anos depois, em 2015, dois dos investigadores que tinham estudado o caso pediram às autoridades que o reabrissem. Graças ao avanço da tecnologia, puderam analisar as amostras de ADN encontradas no corpo da vítima, e cruzá-las com a base de dados de suspeitos de assassinato do caso. Finalmente, no final de 2017, 37 anos depois do crime, conseguiram encontrar o culpado da morte da jovem. O seu nome, Mitchell Lynn Bacom, de 64 anos. O seu ADN coincidia com as amostras e foi relacionado também com mais provas a posteriori. Permanece em prisão à espera de julgamento.

 

17 anos depois: CRIME RACISTA

No ano 2000, em Montgat (Barcelona) foi encontrado o corpo de um homem equatoriano com sinais de várias facadas. Na parede foram escritas várias frases com sangue que diziam “Hitler tinha razão” e “KKK” (Ku Klux Klan). Não foram encontrados restos de ADN na cena do crime, nem impressões digitais que incriminassem algum suspeito. Por este motivo, o caso foi encerrado algum tempo depois.

Um juiz de Badalona ordenou reabrir o caso em 2016. Seguindo outra linha de investigação, foram encontrados informes de contactos que o assassino teria usado para contactar a vítima. Com essa pista, conseguiram finalmente chegar ao suspeito na Colômbia. Neste momento espera-se que a justiça colombiana extradite o detido para que seja transladado a uma prisão espanhola.

 

13 anos depois: O ASSASSINATO DO “EL CHURRERO”

No ano de 2004 quando Antonio Romero (74 anos), conhecido pela sua profissão como “El Churrero” e a sua mulher (80 anos) sofreram um assalto na sua própria casa, em Cádiz (Espanha). Quatro homens entraram durante a noite e ao não conseguir a chave do cofre maltrataram o casal até levar à morte do homem. Roubaram 10,000€ que Antonio guardava no colchão onde dormiam e abandonaram a casa.

A Guarda Civil abriu o caso mas nenhum dos autores do assalto e assassinato foi encontrado. Posteriormente, a Audiência de Cádiz arquivou o caso depois de abertas 30 linhas de investigação diferentes até à data. Graças ao empenho de um sargento, 13 anos depois puderam reabrir o caso e uma vez mais, como com o caso de Suzanne Bombardier, o cruzar de provas de ADN levou aos assassinos. O sangue encontrado em casa do casal coincidiu com um dos novos suspeitos que por sua vez levou os investigadores aos restantes assaltantes.

 

 

Casos como estes são os que Marcia Clark analisa em MARCIA CLARK E AS PRIMEIRAS 48 HORAS para tratar de resolver ou aclarar as circunstâncias que envolveram os acontecimentos. Estreia exclusiva quarta-feira, 13 às 23h00.

 

 

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