7 DE Janeiro DE 2020

Se para nós os nossos dados pessoais são valiosos (ainda que, por vezes, os facultemos indiscriminadamente), para as empresas são ainda mais.

Hoje em dia é muito comum facultarmos os nossos dados pessoais, alheios ao que isso implica. Se temos um perfil de Facebook, por exemplo, o nosso nome e apelido, a data de nascimento, os gostos e até a escola que frequentámos são dados públicos. Muitas vezes não temos consciência do que isso implica e ficamos contentes com a possibilidade de nos registarmos numa aplicação ou website através do “Social Login” (quando nos registamos através do Facebook), sem percebermos que estamos a ceder os nossos dados a essa plataforma.

Alguma vez se perguntou o porquê de, em algumas lojas, pedirem o código postal no momento do pagamento? As grandes empresas pagam milhões para conhecer os hábitos de consumo e os gostos em cada sector específico da população para, assim, poderem direcionar a sua oferta e conseguir vendas.

 

Já alguém leu os termos e condições de utilização de uma rede social? Que tratamento fazem dos nossos dados? A legislação actual estabelece medidas distintas, cada uma focada num momento concreto do tratamento da informação, concedendo direitos à companhia a quem os dados são cedidos, em momentos diferentes.

 

A primeira fase dá-se no momento de registo, quando nos explicam que os nossos dados vão ser recolhidos e que vão passar a fazer parte dos servidores da empresa em questão, além de nos indicarem os dados da empresa e a que actividade se dedicam (redes sociais, meios de comunicação, lojas…).

O que poucos sabem é que, com base no artigo 15 do Regulamento Geral de Protecção de Dados, os utilizadores têm o poder de exigir à empresa à qual cederam as suas informações a indicação dos dados específicos que foram guardados, a sua origem, a sua finalidade e se foram facultados a terceiras partes. Além disso, os utilizadores podem ainda exigir que esses dados sejam apagados ou deixem de ser partilhados.

 

Por tudo isto, as entidades estão a trabalhar na “anonimização dos dados”, que é o mesmo que dizer torná-los anónimos. Isto pode acontecer se os dados forem separados do seu contexto. Uma empresa pode saber os apelidos de todos os seus utilizadores, mas se aos seus apelidos juntar as suas datas de nascimento, morada ou idade, é criado um perfil. Se os dados estiverem isolados entre si, são anónimos e não é criado um perfil concreto que revele a identidade dos seus utilizadores.

 

Quanto mais informações partilharmos na internet, mais claro será o nosso perfil, o que pode ter consequências negativas se um hacker tiver acesso a esses dados, por exemplo.

Por outro lado, esta partilha de dados pode ter consequências positivas, já que a internet “aprende” e, de acordo com os nossos hábitos de navegação, apresentam-nos ofertas mais direccionadas, que sabem que nos vão agradar.

Como em tudo, há que fazer um uso responsável das novas tecnologias e devemos estar plenamente conscientes das implicações associadas ao facto de revelarmos tudo acerca de nós.

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