31 DE Agosto DE 2020

Durante anos, as séries de televisão venderam a ideia de que os testes de ADN são infalíveis e que, ao encontrar um fio de cabelo, podemos encontrar o assassino de um crime.

A verdade é que isso não é tão real quanto pensamos. Os testes de ADN têm limitações e podem, inclusivamente, ser passíveis de erros. Além disso, os resultados também podem ser mal interpretados, levando a acreditar que se obteve algo que não é real.

 

Para começar, é preciso saber o que está a ser analisado, pois nem todas as amostras fisiológicas do corpo humano dão um resultado 100% esclarecedor. Se, por exemplo, analisamos o ADN de um resíduo ósseo, devemos saber que não é o mesmo que analisar o material mitocondrial. A mitocondrial não é exclusiva de cada indivíduo humano, então, quando aparece apenas um resíduo, não podemos ter 100% de certeza de que é de uma pessoa desaparecida, por exemplo. 99,9% do nosso ADN é idêntico ao do resto dos seres humanos, o que só nos torna 0,1% diferentes.

 

Na verdade, já aconteceu uma pessoa ser detida porque as provas de ADN a “colocavam” no local do crime, embora existissem evidências reais, como gravações de vídeo, que a colocavam a 400 km de distância. Pode ser que o seu ADN corresponda amplamente ao de outra pessoa, mas não é por isso que precisa de arcar com as consequências dos seus atos criminosos.

 

O erro humano também é um fator a ser levado em consideração. Os testes que resultam da contaminação dos recipientes onde as amostras são coletadas podem ser mal utilizados, tornando-os inválidos. Além disso, os testes estão sujeitos à interpretação humana, então o erro pode sempre ocorrer a qualquer momento.

 

No Reino Unido, um britânico foi detido por dois meses pois o seu ADN era compatível com o de uma vítima de violação. Foi um erro humano, ao ser utilizado o mesmo recipiente que continha a sua saliva, resultante de uma discussão com a autoridade, para recolher as amostras do crime de violação. Nesse caso, confiar 100% no teste de ADN poderia ter feito este indivíduo passar um tempo preso.

 

A transferência de ADN também deve ser levada em consideração. Simplesmente ao apertar a mão de alguém ou a dar um abraço, podemos estar a transferir o nosso ADN. Se, por exemplo, abraçarmos uma pessoa e a sua camisola for encontrada na cena do crime, podemos ser suspeitos simplesmente por causa das evidências de ADN.

 

Os resultados do ADN devem sempre ser acompanhados por outros testes e suposições, para complementar um veredicto, mas nunca para condenar alguém apenas pelo resultado. Deve ser usado como um instrumento, não como evidência.

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