26 DE Julho DE 2021

Pablo Escobar foi o grande cabecilha da droga que monopolizou o mercado da cocaína durante as últimas décadas do século XX. À frente do chamado cartel de Medellín, controlava 80% da cocaína enviada da Colômbia para os Estados Unidos, contrabandeando entre 70 e 80 toneladas por mês.

Para o fazer, tinha uma infraestrutura que incluía as suas próprias fábricas, uma frota inteira de aviões e barcos, e uma rede de lavagem de dinheiro que incluía os seus familiares e diversos banqueiros e advogados corruptos. Em 1989, a revista Forbes listou-o como a sétima pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna de 24 mil milhões de dólares.

Para manter esta indústria de tráfico de droga e sair impune, Escobar empreendeu uma campanha de terror que resultou na morte de um grande número de cidadãos comuns, uma multidão de jornalistas, mil polícias, mais de 200 juízes, um procurador-geral e um Ministro da Justiça.

Mas, além disso, cultivou um lado amigável que lhe rendeu a proteção e o respeito do povo, especialmente em Medellín, onde construiu habitações sociais e patrocinou clubes de futebol. O traficante tinha o seu próprio jornal, que utilizou como instrumento de propaganda, e tornou-se tão influente e popular que em 1982 foi eleito para o Congresso colombiano.

ANTECEDENTES

Pablo Emilio Escobar Gaviria nasceu em Rionegro (Colômbia) a 1 de dezembro de 1949, numa família humilde. Ele não fumava e mal bebia, mas neste jovem inteligente e ambicioso já se podia adivinhar um vício que o dominaria por toda a vida: o desejo de ganhar dinheiro por todos os meios necessários e a obsessão pelo poder. Assim, viu-se logo envolvido em esquemas e pequenos delitos e, aos 20 anos, começou a vender cannabis e a roubar carros.

No início da década de 1970, recorreu ao tráfico de cocaína. Comprou pasta de coca de alta qualidade da Bolívia e do Peru, processou-a e transportou-a para os Estados Unidos, onde foi distribuída. Para cobrir este negócio, Escobar juntou-se a outros criminosos da área, com os quais formou o cartel de Medellín.

Em 1975, tornou-se o chefe da rede após a morte do líder anterior, Fabio Restrepo, cujo assassinato se crê ser-lhe atribuído.

 

DETENÇÃO

Em maio de 1976, Escobar e vários dos seus homens foram presos quando regressavam do Equador por terem comprado drogas. Foram acusados de posse de cocaína, mas o caso foi arquivado porque dois dos agentes que os prenderam foram assassinados.

Em 1985, começaram a surgir suspeitas sobre a origem da sua enorme fortuna e os Estados Unidos pressionaram a Colômbia a extraditá-lo. Para evitar isto, o narcotraficante orquestrou um ataque ao Supremo Tribunal Colombiano no qual metade dos juízes foram mortos, embora o seu envolvimento nos acontecimentos nunca tenha sido provado.

A 18 de novembro de 1986, Escobar foi novamente preso, desta vez sob acusação de contrabando e associação mafiosa. Recorrendo novamente ao terror, conseguiu que as acusações fossem retiradas.

 

PRISÃO

Em 1989, ordenou o assassinato de dois candidatos presidenciais colombianos e, a 27 de novembro, mandou colocar uma bomba no avião em que viajava outro candidato presidencial, matando 110 pessoas.

Tudo isto aumentou a pressão sobre o narcotraficante, por isso em 1991 Escobar entregou-se voluntariamente em troca de não ser extraditado para os Estados Unidos e passar cinco anos na prisão, numa que ele próprio construiu.

FUGA E MORTE

Um ano após a sua prisão, as autoridades colombianas decidiram enviar Escobar para uma prisão convencional e ele escapou enquanto era transferido. O narcotraficante esteve em fuga durante 16 meses, período durante o qual foi perseguido pela polícia colombiana e norte-americana. Cerca de 600 agentes foram mortos durante a operação.

A 2 de dezembro de 1993, um dia após o seu 44º aniversário, o famoso narcotraficante foi encurralado num dos seus esconderijos no bairro Los Olivos, em Medellín, e envolveu-se num tiroteio. Escobar foi atingido no tronco e na perna, antes de ser fatalmente atingido na cabeça. Tem-se especulado que pode ter sido uma execução planeada.

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